A pessoa que amamos é a metade que nos falta para nos sentirmos completos?
Esta pergunta obteve uma resposta positiva num trecho que faz parte do “Banquete” de Platão, no qual a raça humana é entendida como descendente de seres que tinham quatro olhos, quatro braços, quatro pernas: tudo a dobrar. Zeus cortou esses seres ao meio, fazendo assim com que cada metade ande desesperadamente à procura da metade que lhe falta. O desejo de completude é a explicação do amor.
Quando nos apaixonamos por alguém, faz parte da sintomatologia própria da paixão percepcionarmos a pessoa amada como a peça que faltava para nos sentirmos inteiros. A descarga louca de dopamina no nosso cérebro que ocorre quando o ente amado sente em relação a nós o mesmo que sentimos em relação a ele dá-nos, de facto, a ilusão de que a proximidade dele e a união sexual com ele nos faz inteiros. Era a metade que nos faltava, era a pessoa de que andávamos à procura, toda a vida esperámos por ela e agora: ei-la!
No entanto, quem já tem meio século de idade e já se apaixonou diversas vezes (sempre com a mesma sintomatologia) sabe que é contrário à lógica que possa haver tantas metades sobresselentes de si mesmo a pulular aí pelo mundo. Essa ideia da pessoa que nos torna inteiros tem mesmo de ser uma ilusão.
Frederico Lourenço, sobre o mito dos andróginos (relatado por Aristófanes, no “Banquete” de Platão)
“Halten und lassen”
Uma das frases mais profundas que li em toda a minha vida – e que tem sido um autêntico farol para mim – encontra-se na ópera “O Cavaleiro da Rosa”, quando a Marschallin, consciente da caducidade do amor, enuncia os dois lados da experiência amorosa, cada um deles tão inerente ao amor como o outro: “segurar e largar” (“halten und lassen”). A ideia que a personagem de Richard Strauss tenta exprimir é que, na vida – e, por conseguinte, no amor porque ele faz parte da vida – tudo nos escorre por entre os dedos; tudo o que tentamos agarrar desfaz-se nas nossas mãos; tudo se evapora como névoa, como um sonho. Por isso temos de ser leves (“leicht muss man sein”) e temos de amar com mãos leves, para não cairmos na tentação de agarrarmos o que não nos pertence: outrem.
Frederico Lourenço
Robert Redford, a cara do último americano tranquilo. Passa-se a carreira de Redford a limpo e não se lhe apanha uma mancha, uma pequenina nódoa na camisa. Bastou-lhe ser ele.

Robert Redford, a cara do último americano tranquilo. Passa-se a carreira de Redford a limpo e não se lhe apanha uma mancha, uma pequenina nódoa na camisa. Bastou-lhe ser ele.

VIVA A REPÚBLICA!

VIVA A REPÚBLICA!

Base de massa quebrada com frutos vermelhos. Uma delícia a acompanhar com uma bola de gelado de nata.

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Audrey Hepburn in War and Peace (1956).
Audrey Hepburn in War and Peace (1956).
Deixar o mundo menos feio e menos mau para as gerações vindouras é o contrário de ter vivido em vão.

Os gregos diziam que Eros tinha duas setas diferentes, uma de chumbo e outra de ouro. A pessoa atingida pela primeira sofria a paixão, a pessoa atingida pela segunda era o objeto da paixão.
Giovanni Baglione, The Divine Eros Defeats the Earthly Eros (detail) c. 1602

Os gregos diziam que Eros tinha duas setas diferentes, uma de chumbo e outra de ouro. A pessoa atingida pela primeira sofria a paixão, a pessoa atingida pela segunda era o objeto da paixão.

Giovanni Baglione, The Divine Eros Defeats the Earthly Eros (detail) c. 1602

É o meu mês!

É o meu mês!